Produzir para uma ONG parece igual a produzir para uma empresa. Não é. As diferenças não são de estilo: são estruturais, e afectam orçamento, calendário e contrato.

O dinheiro tem dono e tem regras

Um orçamento de comunicação numa ONG vem quase sempre de um financiamento específico, com rubricas aprovadas, prazos de execução e obrigações de reporte. Isto significa: propostas detalhadas por rubrica, facturação compatível com o ciclo do doador, e flexibilidade zero para custos não previstos. Uma produtora que não percebe isto cria um problema administrativo ao cliente.

Procurement é um processo, não um telefonema

Concursos, três cotações, documentação legal, capability statement, comprovativos fiscais. Uma produtora preparada tem esta documentação pronta e não atrasa o processo em três semanas.

Visibilidade dos doadores não é opcional

Logótipos, menções obrigatórias, disclaimers de financiamento: a União Europeia, as agências das Nações Unidas e a maioria dos financiadores têm manuais de visibilidade com regras específicas. Ignorá-las pode invalidar a elegibilidade da despesa. Pergunta-se pelo manual no briefing, não na entrega.

Consentimento e protecção de dados são centrais

Trabalhar com beneficiários, menores e populações vulneráveis exige recolha documentada de autorizações, critérios sobre o que se mostra, e entrega organizada desses consentimentos junto com o material. Numa produção corporativa isto é um detalhe; numa ONG é uma condição.

Multi-idioma por omissão

O mesmo conteúdo serve a comunidade, o governo e o financiador internacional. Isso significa legendas PT/EN de origem, por vezes língua local, e ficheiros de legendagem separados para poderem ser adaptados sem voltar à produtora.

A reutilização é onde está o valor

Uma ONG não tem orçamento para filmar de novo todos os anos. A produção tem de ser pensada para render: arquivo organizado, material bruto acessível, peças modulares que se recombinam em relatórios, campanhas e candidaturas futuras. É aqui que uma produtora que percebe o sector se distingue de uma que entrega um ficheiro e desaparece.

O calendário é do projecto, não da produção

Reuniões de parceiros, missões de avaliação, fim de ciclo de financiamento: as datas que importam são as do projecto. Uma entrega perfeita duas semanas depois da reunião de doadores não vale nada.


A Renegade Films & Design trabalha com ONGs e organismos internacionais em Moçambique, com processo compatível com procurement institucional. Solicita uma proposta.